EDIFICANDO MEUS MEDOS
Então me deixe só, vou ficar com o medo do escuro,do inseguro e os fantasmas da minha voz serão minhas companhias a partir de agora Estou diante de um momento sombrio e desanimado e só vou melhorar depois que despejar tudo neste depósito de neuras que é o meu blog, já que não posso fazer barulho com meu violão e meu contrabaixo que nem está aqui, vou escrever. Quero gritar, porque "o grito é a fuga do silêncio" e "a certeza da certeza faz o louco gritar". Acho que nunca vou entender nada e isto pode ser que me prejudique, entretanto beleza cada vez desencano mais rápido das coisas. É o método que aprendi a usar para não sofrer depois. Quero gritar através de palavras escritas, socar as teclas do teclado para que as letras sintam todos os meus medos. Não consigo pensar em nada, somente no que falei e no que está acontecendo comigo. Comparo-me a uma ilha a milhas de qualquer lugar. O que me resta agora é dormir e torcer para que amanhã seja melhor. Ah, e antes que eu me esqueça, o título correto do post anterior é "Colorindo meus medos". Não sei porq que saiu a palavra "erro" em vez de "medo". (Carlos Drummond de Andrade) Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Escrito por Hugo, Huguinho, Miltão, Xará às 01h33
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