Há um site (www.astormentas.com) que reúne poemas de escritores da língua portuguesas de alguns países. O legal é que os poemas estão classificados por países e períodos literários.Encontrei estes que me chamaram a atenção.
Conceição Lima
Quando o luar
Quando o luar caiu e tingiu de escuro os verdes da ilha cheguei, mas tu já não eras.
Cheguei quando as sombras revelavam os murmúrios do teu corpo e não eras. Cheguei para despojar de limites o teu nome. Não eras.
As nuvens estão densas de ti sustentam a tua ausência recusam o ocaso do teu corpo mas nao és.
Escritora de São Tomé e Príncipe
Daniel Filipe
Desnecessária explicação
Que importa a melodia, se acaso aos outros dou, com pávida alegria, o pouco que me sou?
Que importa ao que me sabe estar só no meu caminho, se dentro de mim cabe a glória de ir sozinho?
Que importa a vã ternura das horas magoadas, se ao meu redor perdura o eco das passadas?
Que importa a solidão e o não saber onde ir, se tudo, ao coração, nos fala de partir?
Escritor de Cabo Verde
Cruz e Sousa
Asas Abertas
As asas da minh'alma estão abertas! Podes te agasalhar no meu Carinho, Abrigar-te de frios no meu Ninho Com as tuas asas trêmulas, incertas.
Tu'alma lembra vastidões desertas Onde tudo é gelado e é só espinho. Mas na minh'alma encontrarás o Vinho e as graças todas do Conforto certas.
Vem! Há em mim o eterno Amor imenso Que vai tudo florindo e fecundando E sobe aos céus como sagrado incenso.
Eis a minh'alma, as asas palpitando Com a saudade de agitado lenço O segredo dos longes procurando...
Cárcere das Almas
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves, Que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?!
Este é Brasileiro e tem dois deles porque é um dos meus preferidos.
"POR FAVOR ME MANDE EMBORA OU ME ENSINA A TE ESQUECER"
Não lembro como achei esta banda, identifiquei-me muito com a letra e pelo
perfil da galera que visita este (in)feliz blog, tudo me leva a crer que vão
gostar também.
Me Ensina a Te Esquecer
Sol de Outono
Olha pra mim, diga que sim, estenda a mão No meu olhar vai encontrar
explicação Respostas que guardei Agora e eu encontrei Certeza e
indecisão Inevitável disfarçar minha atenção Prendo os meus olhos na tua
boca e digo não Quando meu coração Faz de mim o que bem quer Somos
amigos mas amigos também devem escolher Por favor me mande embora ou me
ensina a te esquecer Por favor me mande embora ou me ensina a te
esquecer Pretendo te esquecer Deixar tudo passar Quero fugir pra bem
longe daqui Somos amigos mas amigos também devem escolher Por favor me
mande embora ou me ensina a te esquecer Por favor me mande embora ou me
ensina a te esquecer
Estou lendo o Memorial de Aires do Machado de Assis e lá encontrei o seguinte trecho:
"Papel, amigo papel, não recolhas tudo o que escrever esta pena vadia. Querendo servir-me, acabarás desservindo-me, porque se acontecer que eu me vá desta vida, sem tempo de te reduzir a cinzas, os que me lerem depois da missa de sétimo dia, ou antes, ou ainda antes do enterro, podem cuidar que te confio cuidados de amor."
Pode-se dizer que o Conselheiro Aires não se passa de um blogueiro, pois escreve o que acontece no seu cotidiano em seu diário. A história acontece no período da Abolição da Escravatura, por volta de 1888. Após ler este trecho, perguntei-me como ele seria escrito nos dias de hoje já que o papel está ficando obsoleto.
Bem antes de ter um blog, eu escrevia muita coisa em cadernos; depois passei para o Word e agora o blog. Criei o blog para poder libertar um "Hugo" que estava se contorcendo a ponto de explodir porque não via maneiras de expressar seus sentimentos bons e ruins.
Às vezes, acho que é me expor demais, pois as pessoas que convivem comigo podem descobrir um Huguinho diferente do que apresento a elas; talvez a Taína até me reconheça, mas com algumas restrições. Pelo que sei, nenhuma das minhas amigas ou amigos ou parentes ou conhecidos freqüentam este blog, com exceção da Clarissa. Tem momentos que penso que tenho duas caras. Não igual ao "O médico e o monstro", mas sei lá. Alguém que é rodeado de pessoas, só que se encontra sozinho diante d algumas situações. Venho tentando descobrir o caminho que me levará a maneiras diferentes de viver para que eu não precise ficar prendendo e soltando este meu "outro eu" . Por enquanto, quero me servir desta terapia barata e excelente que é o blog. Só não vou conseguir reduzi-lo a cinzas.
"Com efeito, vou criar céus novos e uma terra nova; assim, o passado não será mais lembrado, ele não subirá mais ao coração.
Eles construirão casas e as habitarão, plantarão vinhas e comerão seus frutos; não construirão mais para um outro morar, não plantarão mais para que um outro coma, pois como os dias de uma árvore, tais os dias de meu povo; os meus eleitos usufruirão os produtos das suas mãos.
Não se fatigarão mais em vão...
O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão, como o boi, comerá forragem; quanto a serpente, o pó será seu alimento. Não se fará nem mal nem destruição em toda a minha montanha santa, diz o Senhor."